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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Dividida, oposição joga Cunha nos braços do Governo

dilma e cunha
Os articuladores políticos do Governo Federal contaram, nas últimas 48 horas, com uma boa ajuda dos partidos de oposição para reaproximação com o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB). Alvo de denúncias sobre contas na Suíça abastecidas por supostos desvios da Petrobras, Cunha foi surpreendido com nota de partidos de oposição que pedia o seu afastamento do comando da Câmara.
Cunha, que era esperança da oposição para avançar com a abertura do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, ficou irritado com o movimento para tirá-lo da Presidência do Legislativo e acabou voltando para mais perto do Planalto. Se, para a oposição, Cunha serve para avançar com a movimentação sobre o impeachment, o mesmo Cunha, para os governistas, pode ser tornar a principal barreira para evitar qualquer ameaça de afastamento de Dilma Rousseff.
Nesse cenário, Cunha, que precisa do Governo para escapar da cassação e, ao mesmo tempo, anda irritado com a oposição, ganha fôlego para sobreviver por mais algum tempo na Presidência da Câmara Federal. Os sinais de irritação com os opositores são visíveis, assim como a divisão no bloco de oposição.
O deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, Presidente do Solidariedade, confessou aos colegas que a nota, com pedido de afastamento Cunha, o jogou nos braços do governo. O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), segundo as agências de notícias, ouviu de um colega do PT a mesma provocação.
O pedido de afastamento de Cunha também levantou questionamentos no DEM. “No meu partido também tivemos interpretações divergentes, mas temos que conviver com o debate interno”, disse o líder do DEM, Mendonça Filho. Segundo ele, a oposição não pode servir para “blindar Cunha”.
No PSDB a divergência sobre o modo como o líder do partido na Câmara, Carlos Sampaio (SP), lidou com o episódio se tornou pública. Dizem que ele foi inabilidoso e que acabou por “minar” a confiança que Cunha tinha na oposição. “No PSDB, Carlão é o Cristo”, comentou um colega do tucano.
Sampaio defendeu a elaboração da nota em que a oposição pediu que Cunha deixasse o cargo. Agora, está apanhando tanto dos que preferiam que os partidos que trabalham pelo impeachment poupassem o peemedebista, como dos que pediam uma ação mais “incisiva” das oposições em defesa da ética.
Um exemplo do impasse foi a declaração dada pelo líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB) nesta quarta. Segundo ele, Para Cunha Lima, o partido na Câmara “pecou por lentidão” ao, mesmo após divulgar nota em que pedia o afastamento do peemedebista, não ter desembarcado definitivamente do núcleo de apoio a Cunha.
“Era para ter reagido mais rapidamente, mas ainda há tempo”, disse o senador tucano. “O PSDB da Câmara está errando”, completou. A fala foi uma referência às cobranças de que o PSDB defenda formalmente a abertura de um processo por quebra de decoro contra Cunha.
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