Dúvidas sobre a permanência do ministro Joaquim Levy à frente da Fazenda deram força ao dólar ontem, apesar de a moeda americana ter reduzido a alta sobre o real no final da sessão. O dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve valorização de 1,37%, para R$ 3,894 na venda. Já o dólar comercial, utilizado em transações de comércio exterior, subiu 0,12%, a R$ 3,878. Ambas as cotações chegaram a operar acima de R$ 3,90 ao longo do dia.
O dólar avançou sobre 23 das 24 principais moedas emergentes do mundo, refletindo renovadas preocupações com a crise global após a China reportar crescimento de 6,9% entre julho e setembro deste ano. Foi o pior desempenho trimestral desde primeiro quarto de 2009. Entre as dez principais divisas do globo, o dólar subiu sobre nove -a exceção foi a libra.
Internamente, o mercado digeriu a entrevista do presidente do PT, Rui Falcão, à Folha de S.Paulo, na qual defende a saída de Levy do cargo caso o ministro da Fazenda não concorde com mudanças que deveriam ser feitas na política econômica da presidente Dilma Rousseff.
Dilma discordou de Falcão e disse que Levy fica no cargo. A possibilidade de troca do ministro da Fazenda tem gerado especulações no mercado financeiro há meses, diante da dificuldade enfrentada pelo Governo para aprovar medidas de ajuste fiscal. Na última sexta-feira, por exemplo, o dólar comercial intensificou a alta sobre o real nos últimos minutos de negociações com rumores de que Levy pediria demissão.
O Banco Central deu continuidade aos seus leilões diários para estender os vencimentos de contratos de swaps cambiais que estão previstos para o próximo mês. A operação, que equivale a uma venda futura de dólares, movimentou US$ 512,10 milhões.
Bolsa
Na Bolsa, o Ibovespa avançou 0,45%, para 47.447 pontos. O volume financeiro foi de R$ 7,961 bilhões -o montante foi inflado pelo vencimento de opções sobre ações (quando termina o prazo de contratos que apostam no valor futuro dos papéis), que girou R$ 2,47 bilhões.
O índice mostrou instabilidade durante o dia, acompanhando o clima misto nos principais mercados acionários internacionais: na Europa tiveram leve alta e, nos Estados Unidos, ficaram perto da estabilidade.
As ações preferenciais da Vale, mais negociadas e sem direito a voto, caíram 3,09%, apesar de dados operacionais positivos terem sido divulgados pela manhã. A companhia teve recorde de produção de minério de ferro no terceiro trimestre. Os papéis ordinários da mineradora, com direito a voto, recuaram 3,37%,.
No sentido oposto, o avanço das ações de bancos ajudou a sustentar o desempenho positivo do Ibovespa. Este é o setor com maior peso dentro do índice. O Itaú Unibanco ganhou 2,38%, enquanto o Banco do Brasil subiu 4,42%. Já o Bradesco teve leve perda de 0,14%.
(da Folhapress)
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