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sábado, 17 de outubro de 2015

Os motivos da insatisfação de Levy

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Uma reunião que durou três horas, ontem, entre a presidente Dilma Rousseff (PT) e a Junta Orçamentária do Governo. Foi o tempo em que se especulou o pedido de demissão do ministro Joaquim Levy, o que não ocorreu. O fato é que, apesar de ter ficado, o estilo de conduzir a economia do País de Levy se distancia do Governo do PT e motivos para ele estar insatisfeito existem.
 A informação de que Levy teria redigido uma carta de demissão, além de ter tratado do assunto com aliados foi publicada pela coluna Radar On-line da Revista Veja. Mas o Ministério, em nota à imprensa, disse que o ministro “jamais escreveu alguma carta” pedindo dispensa e que ele continua “trabalhando pelo futuro do País”.
Em relação às insatisfações, a maior delas é a interferência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Governo, inclusive defendendo a saída do ministro, além de uma política de não agressão ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.
Na leitura de Paulo Dantas da Costa, presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon) a influência política na economia é muito ruim. “Independentemente da qualidade do trabalho do ministro, o ex-presidente Lula não o quer. As influências políticas nas questões econômicas têm sido extremamente maléficas para a sociedade brasileira”, critica.
Para o consultor econômico, Henrique Marinho, Levy representa tudo aquilo que o PT não defende, pela forma como a economia está sendo conduzida, e isso tem deixado o partido de escanteio. “O problema é que o País teve progresso de políticas sociais e as políticas do Levy, por mais que estejam corretas para ajustar as contas, da forma como ele tem feito, é praticamente destruir tudo o que foi feito socialmente pelo Governo”, analisa.
Congresso

E se a posição do ministro já estava incomodando, agora ele não está mais tendo sucesso em se impor nem perante o Congresso Nacional, com quem não consegue articular para colocar para frente o ajuste fiscal prometido. 


“Desde o início, o ministro vem encontrando dificuldade no Congresso em conseguir avançar, porque ele é de uma linha ortodoxa liberal, conservador, e está dentro de um Governo que tem outra linha econômica. A presidente é de outra linha, o ministro do Planejamento (Nelson Barbosa) é de outra linha. Ou seja, o Levy é um estranho no ninho”, avalia Ricardo Eleutério, conselheiro do Conselho Regional de Economia (Corecon-CE).
No momento, a política fiscal, que tem de passar pelo Congresso para prosperar está travada por causa das discussões entre tirar a presidente do poder, por meio de impeachment, e também derrubar o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. “A crise política, na realidade, vem engolindo a economia e sacrificando mais ainda os problemas econômicos do País”, diz Eleutério.
o povo online

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