ANTONIO CRUZ/AGÊNCIA BRASIL
Pouco mais de um mês depois da polêmica declaração de que o País precisava de um nome que o reunificasse, o vice-presidente da República, o peemedebista Michel Temer, voltou a criar outra saia-justa para si e para o governo federal.
Desta vez, Temer afirmou, durante evento anti-governo organizado pelo grupo “Política Viva”, na última quinta-feira, 3, que, com a baixa popularidade, Dilma não resistiria pelos próximos três anos e meio.
Dita em um momento de grave crise política pelo virtual sucessor de Dilma caso a presidente seja afastada ou renuncie, a fala acabou gerando insatisfação entre petistas e deu ânimo à oposição, liderada pelo PSDB, que prega o impeachment.
Até mesmo congressistas do PMDB que atuam em sintonia com o vice afirmaram, em caráter reservado, que Temer “caiu numa armadilha” ao participar de um evento organizado por um movimento contra o governo. Para eles, as declarações assumiram caráter mais forte no ambiente em que foram ditas.
O discurso acena ao segmento do PMDB que deseja romper com o Palácio do Planalto - entre eles, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (RJ). Os principais dirigentes da legenda, porém, ainda defendem que o desembarque do partido, caso se efetive, seja calculado. O clima efervescente hoje poderá ter desdobramentos no congresso nacional do PMDB, marcado para 15 de novembro.
As palavras do vice mostram, no mínimo, relativo desalinhamento de discurso entre a chefe do Executivo nacional e o peemedebista. Diante do burburinho negativo criado após as declarações, o governo tentou rapidamente colocar panos quentes no que poderia vir a ser uma nova crise.
O ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, foi à imprensa e disse que as palavras de Temer foram colocadas “fora de contexto” e que foram “mal interpretadas”.
Também para o senador Eunício Oliveira (PMDB), o vice-presidente foi mal-interpretado. Eunício garante que Temer não se referia à presidente Dilma, e que sua declaração foi feita de forma genérica quando colocou que “nenhum” gestor conseguiria se manter no poder com baixo apoio popular.
Figura ambígua
Para o cientista político da Unicamp, Valeriano Costa, Michel Temer tem o perfil de uma figura ambígua no cenário nacional. As movimentações ora a favor do governo, ora alimentando discursos de dubiedade, são calculadas no sentido de atender às alas do PMDB.
Temer é a única figura de ressonância mais ampla do PMDB.
“
O Renan Calheiros e o Eduardo Cunha estão muito abatidos, tentando sobreviver. Não tem figura que una o partido, e ele quer, neste momento, atender a todo mundo”, analisa.
Para o pesquisador, a hipótese de conspiração, colocada por uma ala do PT, é sem consistência. “O vice não tem interesse em assumir o País. O Temer derrubar o governo agora seria dar um tiro no próprio pé”. (com agências)
Frases
"NEM O PMDB É CONSPIRADOR, NEM O MICHEL ESTÁ EM NENHUMA CONSPIRAÇÃO. SE O PMDB FOSSE CONSPIRADOR, JÁ TERIA FEITO O IMPEACHMENT"
Eunício Oliveira, senador
"MICHEL TEMER É UMA FIGURA AMBÍGUA, POR ISSO PRECISA ATENDER ÀS VÁRIAS ALAS DO PMDB QUE APOIAM OU SÃO CONTRA O GOVERNO”
Valerinano Costa, cientista político pela Unicamp
"NINGUÉM VAI RESISTIR TRÊS ANOS E MEIO COM ESSE ÍNDICE BAIXO. SE CONTINUAR ASSIM, 7%, 8% DE POPULARIDADE, DE FATO, FICA DIFÍCIL”
Michel Temer, vice-presidente
o povo online
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